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ROLEZINHO NO DESERTO - Set-Out/16

F altando vinte e um dias e eu me perguntando ... Caramba, mais uma viagem sem relato? Mais uma aventura sem "diário de bordo"...

01 setembro 2016

ROLEZINHO NO DESERTO - Set-Out/16


Faltando vinte e um dias e eu me perguntando ... Caramba, mais uma viagem sem relato? Mais uma aventura sem "diário de bordo"? E me vem na cabeça aquela palavra horrorosa. Procrastinação - substantivo feminino - ato ou efeito de procrastinar; adiamento, demora, delonga . Não! Definitivamente, dessa vez não! Vou tentar ser mais organizada e menos dispersa e tentar relatar aqui a aventura que estou prestes a viver. Serão mais de 6.600km em 20 dias de viagem. Eu e Mity, minha Intruder 125cc. A idéia inicial era um "bate e volta" ao Atacama, mas dando um rolezinho pelo Google, o Pacífico piscou pra mim e eu não resisti. Vou lá fazer uma selfie com ele também kkkkk .


Roteiro do role


Não posso chamar minha ida ao Deserto do Atacama de expedição, como todos fazem, pois não será uma viagem em grupo. Aí fiquei pensando aqui qual seria o termo correto pra uma viagem solo de uma maluca aventureira como eu. E sinceramente não encontrei nada mais apropriado que "rolezinho no deserto". Afinal o que eu mais gosto de fazer é dar uns roles pelas estradas, independente de distância. 

Na verdade, viajar até o Chile pra mim ainda era um sonho meio distante, a ser realizado algum dia, mas não tão cedo. Eu havia me programado pra fazer o Nordeste brasileiro nas férias de agosto, mas cheguei à conclusão de que 20 dias não seriam suficientes pra rodar os 6.666 km (é verdade,hehe) planejados com tanto lugar bonito pra conhecer. 


6.666 km


Aí achei por bem adiar pra março, quando posso optar por 30 dias de férias. E o que fazer com minhas férias de inverno então? Foi aí que me lembrei do meu "Projeto Atacama" e consultando o mapa vi que a distância até que não era tão grande assim. Se nas últimas férias eu tinha feito 7.200km em 20 dias, incluindo no roteiro o carnaval em Peruibe/SP, uma viagem a Montevidéu e um evento em São Vicente/SP, ir até o Atacama seria moleza.



Longe é um lugar aonde você não quer ir


E tomei a decisão. Adiei as férias para setembro, quando as temperaturas são mais amenas e os preços mais baixos por lá. De lá pra cá, venho pesquisado bastante e procurando armazenar o máximo de informações a respeito. Nunca fui de muito planejamento não. Aliás, sempre tive em mente que quando a coisa é muito planejada  geralmente não dá certo. Mas essa viagem é bem diferente das demais e não pode ser feita no meu velho esquema do "amarra as tralhas e vamo que vamo". Apesar de todo o trecho ser feito por asfalto, existem algumas dificuldades peculiares, como por exemplo a altitude, a falta de oxigênio, o soroche (mal da montanha) e principalmente o fato da trudinha ser carburada. Infelizmente, devido às características da moto, não posso me aventurar em rotas alternativas, como estradas de rípio por exemplo. Pensa bem, levar um chão sozinha, sem ajuda, sem socorro, pode colocar um fim à minha aventura, né? Sendo assim, tem que haver um pouco de planejamento.

DOCUMENTAÇÃO - Carteira de Identidade relativamente recente, documento do veículo sem alienação e no meu nome. Tudo ok. Embora quase nunca seja solicitada, a "Carta Verde" é documento obrigatório para se rodar no Mercosul. No Uruguai ela não saiu da minha carteira, mas estava lá todo o tempo. Já no Chile ela não tem valor. Lá se exige o Soapex, um seguro com características semelhantes à Carta Verde, feito pela internet. Embora alguns afirmem que a PID (Permissão Internacional para Dirigir) seja obrigatória no Chile, encontrei um acordo firmado entre os países da América do Sul que a dispensa. Vou levar impresso.

SEGURO VIAGEM - Ítem indispensável pelo custo-benefício. Cobertura total desde o momento em que eu sair do meu portão, até a hora em que meu cachorro Bruce abanar o rabinho de alegria ao me ver voltar pra casa. Valor R$142,00 (despesas médicas, medicamentos, internações, morte, funeral e todas aquelas outras coisas sinistras que a gente acha que só acontece com os outros)

REVISÃO DA MOTO - Será feita na semana da viagem.

CRÉDITO CONSIGNADO - Muita gente me pergunta quanto vou gastar. Tenho lido por aí que o custo dessa viagem fica bem próximo de 6 mil reais. Mas eu vou fazê-la com a metade disso. Como? Me hospedando em campings e hostels, e fazendo refeições modestas, tipo marmitex em posto de caminhoneiro. Bem no meu estilo, hehe. Como ganho pouco e não tenho recursos, apenas um sonho e muita determinação, farei um empréstimo na Caixa para ser pago em 36 parcelas. A essa altura do campeonato, já não tenho mais tempo de esperar prêmios de loteria ou coisas do tipo, pra realizar sonhos. 



COLABORAÇÕES - Como minha verba é bem limitada, sem muita margem pra gastos adicionais em imprevistos, criei uma "vaquinha on-line" para quem quiser participar dessa minha aventura. Qualquer colaboração, independente de valor, será muito importante para a concretização dessa viagem.

Quer colaborar? Clica aqui


4 comentários:

Guilherme e Piti disse...

Fá, Fiz essa viagem em 2013 com a patroa. Você já deve ter recebido centenas de dicas, mas seguem as minhas que considero as básicas:
1- Não subestime o poder do sol no norte da Argentina: Não deixe um milímetro de pele exposta enquanto pilota. Eu usei uma luva de cano curto e no final do dia estava com os pulsos queimados;
2- Carregue sempre uma garrafa de água: a sede é forte nesse percurso e principalmente no Atacama.
3- Na altitude uma moto carburada perde bastante rendimento, então a velocidade média vai cair bastante. Vá com calma que dá, mas planeje bem o tempo de percurso ao cruzar a Cordilheira e dê uma folga para não rodar a noite porque é muito frio o ano todo.
4-Se fizer o cruze da fronteira Argentina-Chile no Paso de Jama, procure não fazer qualquer esforço sem necessidade. Ande com calma e não carregue peso. Lá tem pouco O2 e o corpo sente. Durante a pilotagem não sentimos qualquer problema.
5- O povo do norte da Argentina é super hospitaleiro. Conhecemos pessoas que são nossos amigos até hoje - nada a ver com os preconceitos que muitos têm com os Argentinos. Mas em Corrientes, tome cuidado porque há policiais corruptos na região da Ponte Gen. Belgrano. Cuide as placas para andar nas vias "coletoras" e não na pista principal. Se não sabe do que estou falando me diga que eu explico melhor.
Se você se emociona fácil, prepare um lençol para enxugar as lágrimas de felicidade quando estiver cruzando a Cordilheira dos Andes! É fantástico mas não adianta tentar explicar... só de lembrar arrepia mesmo.
Bom estou aqui acompanhando tudo!
Super abraço!
Vai ser uma viagem maravilhosa!!!

Fá Intruder disse...

Obrigada pelas dicas.Sobre Corrientes, até já estudei o mapa do trajeto a fazer antes da ponte (aquilo é pegadinha,só pode! kkkk). Vou cruzar a Cordilheira em 2 etapas. Parar, dormir, para o corpo se acostumar. Todos pensam que os 450km de Purmamarca a San Pedro é moleza, dá pra ir direto. Mas não é bem assim, né? Nunca sabemos como nosso organismo vai reagir com a altitude. Pode ser de uma leve dor de cabeça a um AVC, e voltar para casa está nos meus planos, hehe. Quanto a trudinha, segunda-feira tenho uma aula particular na Viva Motos, concessionária Suzuki daqui, de como regular o carburador e trocar gicle, se for preciso.Sei dos perigos e dificuldades, mas quanto mais a gente se inteirar deles e evitá-los, melhor. Valeu pelo apoio e incentivo. E vamo que vamo!

Ssam Santos disse...

Fah, estou torcendo por vc, estarei acompanhando! Bjao

Fá Intruder disse...

Obrigada, SsamSantos ! Vamo que vamo !